Avaliação antropométrica de idosos com demência institucionalizados de Joinville

  • Sonia Toriani Ielusc
  • Erika Dantas de Medeiros Rocha

Resumo

O número de idosos vem aumentando de forma crescente na população. De forma global, as estimativas mostram para 2025 cerca de 1,2 bilhão de idosos podendo atingir 2 bilhões em 2050. No Brasil, as projeções mostram que haverá em 2020 cerca de 29,8 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Com o avanço da idade ocorre declínio fisiológico das funções orgânicas que podem ocasionar o surgimento de doenças crônicas incapacitantes. Dentre estas doenças, destacam-se as síndromes demenciais com elevada prevalência entre os idosos, especialmente aqueles institucionalizados. A demência é considerada problema de saúde pública, especialmente nos países em desenvolvimento, por afetar a qualidade de vida do idoso. Estimativas mostram que de 2% a 8% da população idosa pode ser afetada por demência. Na América Latina, a prevalência média é de 7,1%. A demência altera os mecanismos cognitivo e motor podendo influenciar diretamente no estado nutricional. O idoso com demência pode estar mais propenso ao desenvolvimento de doenças, infecções e diminuição na ingestão de alimentos, consequentemente podendo levar a condição de desnutrição. Diante disto, esta pesquisa apresentou como hipótese a antropometria enquanto método convencional de avaliação nutricional permite identificar a presença de alterações do estado nutricional em idosos. Portanto, diante do exposto, este estudo teve como objetivo principal caracterizar o estado nutricional de idosos com demência que residem em uma instituição de longa permanência da cidade de Joinville, Santa Catarina. Em relação a metodologia, trata-se de um estudo observacional com abordagem quantitativa realizado entre outubro e novembro de 2018 em duas instituições de longa permanência para idosos. Foram incluídos 20 idosos com diagnóstico de demência, conforme prontuário médico, sendo 50% (n=10) do sexo feminino e 50% (n=10) do sexo masculino, selecionados por amostragem não probabilística de conveniência. Foram coletadas informações sobre sexo, idade, patologias e dados antropométricos. A classificação do estado nutricional foi baseada no índice de massa corporal (IMC), circunferência do braço (CB) e circunferência da panturrilha (CP). O estudo seguiu os pressupostos éticos em consonância com a Resolução nº 466/2012 e foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa sob o parecer consubstanciado nº 2.969.760. Os resultados foram representados em frequência, média e desvio-padrão. Os resultados obtidos mostraram que a média de idade entre os idosos participantes foi de 78,7 ± 9,2 anos. Segundo o IMC, verificou-se que 55% (n = 11) dos idosos estavam com baixo peso, 20% (n = 4) com peso adequado, 5% (n = 1) com sobrepeso e 20% (n = 4) com obesidade. Em relação a CB, 56,25% dos idosos estavam em condição de desnutrição (26.4 ± 5.97 cm). Para a CP, 60% apresentaram perda de massa muscular (30.6 ± 5.45 cm). Sobre a presença de patologias, observou-se elevada frequência de doenças crônicas, destacando-se diabetes mellitus tipo 2 (63%) e hipertensão arterial sistêmica (81%). Em conclusão, a desnutrição foi uma condição prevalente entre os idosos investigados, visto que este achado pode ser frequente entre idosos institucionalizados, especialmente entre aqueles com presença de demência.

Publicado
2019-06-26